segunda-feira, 6 de julho de 2015

Jesus e os Vendilhões do Templo - O Comércio da fé - Tirando as pombas

JESUS E OS VENDILHÕES DO TEMPLO

"E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorou." (João 2:13-17)


INTRODUÇÃO
Neste pequeno estudo, veremos a correlação entre a passagem de Jesus e os cambistas que residiam no templo e os tempos atuais, trazendo uma nova ótica sobre nosso perfil cristão contemporâneo.
Deveríamos fingir que nada vemos quando percebemos que algo está errado, devido às autoridades religiosas que governam nossas denominações ou devemos ter a ousadia de Cristo para combater a apostasia iminente no seio da Igreja de Cristo?

1 - PRÓXIMA ESTAVA A PÁSCOA...
A Páscoa dos Judeus era uma data muito significativa, pois tratava-se de uma memória totalmente reformulada das festas agrícolas que antes eram comemoradas antes da saída do Egito, e que agora eram uma manifestação de gratidão a Deus pelo livramento dos primogênitos quando o anjo da morte passou sobre as casas de todos no Egito (Ex 12.25-27).


2 - OS ESPERTOS VENDILHÕES
Um fato curioso é que segundo as instruções dadas por Deus para os sacrifícios da Páscoa em Êxodo 12:21, o animal a ser sacrificado seria um cordeiro, e nenhum outro. Mas vemos um fato curioso acontecendo no templo: vendedores de bois, ovelhas e pombas. O que de fato isso significa?

No sacrifício antigo pela expiação dos pecados, devia ser morto um animal, de acordo com a condição financeira de cada um, e por isso se ofereciam esses animais para que fosse expiado o pecado do povo. O que ocorria ali era já um "mercado da expiação", onde, ao invés de o pecador entender que o animal sacrificado era inocente e por isso havia necessidade de parar de pecar, o contrário acontecia!

Havia já um mercado em pró dos sacrifícios instituído dentro do próprio templo, tornando super fácil a compra, venda e troca de animais para serem sacrificados, não mais existindo sequer nem um pingo de arrependimento da parte de quem os comprava e vendia. Os animais se tornaram apenas um objeto de descarte perante o pecado do povo. Era uma espécie de "Fast Food" dos sacrifícios.

3 - A ÓTICA DE CRISTO
Ao ver tamanha desconsideração com o objetivo espiritual criado pelo Pai Eterno, Jesus logo se indigna com tamanha falcatrua dentro do templo. Ora, haviam ali três tipos de animais, mas faltava um, altamente difícil de se encontrar: O Cordeiro. E é aí que entramos no lado espiritual deste estudo.

4 - CRISTO, O CORDEIRO
Como já profetizado por João, ao batizar Jesus, lemos: "e, observando que Jesus passava, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” (Jo 1:36). Cristo fica atordoado com tamanha afronta aos princípios divinos do sacrifício, e já era próxima a páscoa, mas onde estariam os cordeiros? Não havia ali cordeiro algum, mas por qual razão?

Partindo do princípio do Êxodo, todo cordeiro pascal deveria ter um ano e ser conservado sem mácula, e havia também uma forma de assá-lo e de mantê-lo livre de infestações e doenças. Tudo isso tinha um princípio óbvio da parte de Deus: mostrar que depois de cuidar um ano de um animal e de se afeiçoar a ele, tratando e mantendo-o limpo, ele morreria pelos daquela família que o sacrificaria, nos remetendo ao sofrimento do Pai celestial ao ver seu único filho, sem mancha, sem pecado, sem culpa, morrendo por nós numa cruz onde nós deveríamos estar!


Manter cordeiros com essa faixa de idade e com esse controle de qualidade era impossível para os vendedores, pois atrapalharia o seu giro comercial, e também exigiria tempo e alto investimento para mantê-los, e rapidamente passariam da idade. Também temos o fato de cordeiros novos não confiarem em outras pessoas, necessitando do cordeiro pascal sempre ter sido criado e crescido dentro do seio das famílias. Os vendilhões nada disso tinham.


Cristo então aponta pra si mesmo declarando ser o Cordeiro de Deus, num empolgante brado para que todos escutassem: "Derribai este templo, e em três dias o levantarei.". Logicamente Ele fala de si mesmo, como sendo o Cordeiro apontado por João.

5 - A ATITUDE DE CRISTO
Aqui se resume a coragem de Cristo. Um ato que parecia furioso, era apenas uma resposta a uma profecia antiga que dizia: Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim. (Salmo 69:9). Cristo reúne toda sua indignação pela algazarra criada dentro da Casa de Deus e simplesmente derruba tudo e com um azorrague de cordéis (uma espécie de chicote com vários cordéis curtos juntos), expulsou tanto os vendilhões quanto seus animais de dentro do Templo, dizendo que "não façais da casa de meu Pai casa de venda".

6 - AS POMBAS
Por se tratarem de animais que eram as ofertas dos mais pobres, Cristo derruba as cadeiras dos "pombeiros" mas não encosta nelas. Ele ordena que elas sejam retiradas pelos próprios vendedores, para que seja banido do Templo todo comércio. Fato curioso, não?

Podemos aqui ver que alguma coisa Jesus deixou pra os vendilhões fazerem. E é assim até hoje: aquilo que é pesado e impossível para nós retirarmos de dentro de nós mesmos, Deus opera e faz, mas algumas coisas pequenas ficam por nossa conta, e Jesus derriba as cadeiras que nos acomodavam e nos deixavam ali, parados, com tanta pomba que até confundia saber quem era quem, tantas idéias, pensamentos, doutrinas daqui, dogmas de lá, que Cristo apenas ordena que tiremos de nós mesmos.

Deus opera milagres e o impossível Ele faz. Mas o possível fica para nós mesmos.
Para o Cordeiro operar, é preciso que toda falcatrua saia...

(Daniel Junior)